Contabilidade: Da Autópsia ao Diagnóstico: Uma Reflexão Revisitada

Dias atrás, revendo alguns materiais antigos, deparei-me com o conteúdo de uma palestra que realizei para um grupo de mais de cem jovens do curso de Técnico em Contabilidade de uma escola pública. Na ocasião, estavam também presentes alguns professores da área. O tema da palestra era: “O profissional da contabilidade dentro de uma nova perspectiva organizacional”. O susto foi enorme quando percebi que já haviam se passado mais de vinte anos.

Na época, a exposição foi iniciada com uma reflexão sobre as novas configurações que estavam acontecendo nas organizações e a necessidade de esse profissional, num primeiro momento, se adaptar aos processos de mudança para que, em seguida, fosse possível fazer parte daqueles que estudam e implementam alterações de rumo na vida dessas organizações. Foi enfatizado que se enganam aqueles que enxergam o dia a dia desse profissional de forma estática. Alertou-se, com isso, da necessidade de um maior engajamento desse profissional para que tenha uma presença relevante nas decisões das empresas. Como? Valorizando as Demonstrações Contábeis, os Relatórios Internos delas extraídos e criando meios de divulgação da importância de seu trabalho.

Com isso, o ponto a ser abordado, nesta reflexão, que chamou a atenção daqueles jovens foi o da Contabilidade “voltada para o futuro”. Olhando para um passado não muito distante, é possível se lembrar dos processos manuais aos quais era submetida a elaboração das Demonstrações Contábeis. Uma grande quantidade de colaboradores era colocada à disposição do “departamento contábil”, como era, à época, conhecido. A questão envolvida não era o tempo da elaboração, e sim a visão de passado que não somente essas Demonstrações Contábeis carregavam, como também aqueles que a elaboravam e que delas faziam uso. As decisões eram, na maioria das vezes, tardias, isso quando ocorriam. Eram baseadas em relatórios numericamente ultrapassados, que mostravam situações ocorridas meses antes. Isso, em se tratando de Brasil, era péssimo, principalmente pelos altos índices inflacionários que o País amargurou.

Antes do aparecimento da informática, os processos manuais foram substituídos pelos métodos mecanizados que, de certa forma, trouxeram um dinamismo maior aos profissionais. Depois, com o surgimento do software, os meios mecanizados se tornaram obsoletos, tendo sido substituídos.

Os colaboradores deram lugar aos computadores, e as Demonstrações Contábeis foram sendo elaboradas em tempo aceitável. Mas o que mudou? Nada, se não há mudança na visão daqueles que as elaboravam e na dos usuários. As mudanças ocorridas nos meios utilizados para a realização das tarefas na ordem manual mecanizada e depois com os computadores possibilitaram para que fossem feitos os mesmos relatórios, só que a cada estágio de forma mais rápida e ágil.

Por si só, a tecnologia não se encarrega de promover as mudanças necessárias, possibilitando encontrar ambientes favoráveis a uma melhor participação, simplesmente pelo fato de se estar sendo mais ágil nas tarefas. O que ela traz é um ganho de escala e, de certa forma, a escolha do tempo de transmissão das informações. Ou seja, que as decisões podem ser tomadas em tempo oportuno, em qualquer lugar do mundo em que a organização esteja inserida pelo fato de o fluxo de informação ser mais rápido.

Existe um pensamento interessante que enfatiza que “o olhar para o futuro constrói os passos do presente”, pensamento esse que poderia fazer parte do dia a dia de cada um dos profissionais. Da mesma forma como foi uma novidade para aqueles jovens alunos saberem que é possível e devem-se realizar simulações empresariais com projeções daquilo que se pretende atingir num futuro bem próximo, e que é perfeitamente possível traduzi-las para uma linguagem contábil de fácil compreensão, existem aqueles que ainda ignoram a importância da Contabilidade como instrumento de tomada de decisão.

É importante destacar que, quando se fala de futuro, não se está arriscando com formulações extraídas do vazio nem que sejam frutos dispersos da imaginação. A questão aqui se refere a algo que, pela experiência associada às novas configurações do mercado em que se está inserido, e ponderando o contexto econômico-financeiro, possua credibilidade para que, com reduzida margem de erro, se torne realidade. 

Com o futuro vem associada a estratégia. As organizações estão hoje empenhadas em adotar estratégias não só para se manterem em seus segmentos de mercado, mas também para que, em alguns casos, saiam na frente da concorrência. Isso exige escolhas, e as escolhas precisam estar fundamentadas em informações. O autor de Estratégia Competitiva, Michael Porter, nos lembra que “uma boa estratégia deve estar relacionada com a evolução da estrutura industrial e com a posição particular da empresa dentro daquela indústria”.

Pergunta: Quantos de vocês conseguiram encontrar o papel da Contabilidade nessa posição de Porter? Ela é, quase em sua totalidade, fundamentada no papel desempenhado pelas Demonstrações Contábeis. De que forma conhecemos a evolução da estrutura da organização? Como saberemos a posição dessa organização dentro de um segmento industrial da economia?

O processo de mudança pelo qual está passando tem muito a ver com as novas necessidades dos usuários das informações prestadas pela Contabilidade. O acompanhamento e o engajamento, nesse processo, são de vital importância para esse profissional como fornecedor de informações e participantes nos projetos que visam melhorar a performance da organização.

Ressalte-se que as mudanças tornam a ocorrer quando, novamente, as necessidades dos usuários mudam, e o profissional da Contabilidade deve estar preparado para assessorá-los se conseguir fazer uma leitura compreensiva dessas mudanças, a fim de apresentar novos métodos que permitam realizar uma avaliação mais adequada, mostrando novos caminhos para a organização.

É importante ressaltar que, no decorrer de grandes mudanças que ocorrem na sociedade, provocadas por agentes de natureza econômica, financeira, social e sanitária, dentre outras – como esta que o mundo enfrenta atualmente –, um dos grandes desafios da Contabilidade continuará sendo o de levar aos seus usuários informações relevantes de caráter útil e necessário, e que possam transmitir uma percepção de futuro, garantindo tomada de decisões, e que possam trazer às organizações um ambiente favorável ao desenvolvimento/crescimento sustentável. Isso é olhar para o futuro!    

João Daniel Quagliato, Contador, Economista, Pós-Graduado em Contabilidade e Finanças, Consultor e Professor de Pós-Graduação na área de Negócios. 

Você realmente conhece o seu negócio?

Sempre que convidado, para uma visita a um(a) cliente em potencial, procuramos, inicialmente, fazer algumas perguntas que são necessárias para que tenhamos uma compreensão da performance daquela empresa e para avaliarmos o grau de conhecimento que o(a) proprietário(a) possui de seu próprio negócio. Em linhas gerais, são sete perguntas básicas que qualquer empresário(a) deve saber responder sobre o seu negócio. São elas:

1.a Você realmente conhece seu negócio?

2.a Qual é a Receita de Vendas Ideal?

3.a Qual é o Regime de Tributação adequado?

4.a Qual é o nível de Custo Compatível para o produto e/ou a mercadoria?

5.a Qual é a Despesa Adequada?

6.a Qual é o Lucro Possível?

7.a Qual é o Nível de Caixa Confortável?

Depois da impressão inicial, o próximo passo é formular estratégias, junto com o(a) cliente, a respeito de como atingir o crescimento/desenvolvimento sustentável da empresa. Para isso, é imperativo que se faça, primeiramente, o Diagnóstico e a Elaboração do Planejamento Econômico-Financeiro determinando os objetivos e as metas alinhados com o mercado em que a empresa está inserida.

A seguir, promove-se o Acompanhamento dos agentes (receita, tributos, custos e despesas) que determinam o resultado com análises do previsto/real, em que verificamos a necessidade de correções no plano estabelecido, consideramos as influências ocorridas pelos ambientes interno e externo e, se necessário, fazemos as correções para realinhamento dos objetivos a serem alcançados.

Caso tenha alguma dúvida ou queira informação adicional sobre o tema, entre em contato conosco para podermos ajudar você.

João Daniel Quagliato. Contador, Economista, Pós-Graduado em Contabilidade e Finanças, Consultor Econômico-Financeiro e Professor de Pós-Graduação na área de Negócios.

Pense em Você Primeiro!

Esse título pode soar arrogante para você, mas é isso mesmo. Em se tratando de negócios, pense em você primeiro, mas me deixe explicar do que se trata. Não estamos nos referindo à filosofia de relação comercial ganha/perde, ou seja, para você ganhar, o outro precisa perder. Nada disso! Aliás, você deve sempre optar pela relação ganha/ganha, em que ambos sairão ganhando, ou melhor, satisfeitos.

Durante o período que você escolhe para avaliar a performance de seu negócio – mensal, trimestral, semestral, anual ou outro qualquer –, vários fatos econômicos e financeiros se movimentam e geram um resultado aplicando-se a seguinte equação lógica do mercado:

Receita (-) Tributo (-) Custo (-) Despesa (=) Lucro

Note que pelo esforço de vendas de sua empresa se obtém uma Receita. Sobre essa Receita e outros fatos geradores, ocorre a incidência do Tributo. Além desses, ocorrem o Custo do produto ou da mercadoria, as Despesas e, finalmente, o Lucro. Por que o Lucro fica no final da equação? Por que você enxerga a equação lógica do mercado dessa forma. Então você pergunta: De que outra forma posso enxergá-la?

Certa vez, ouvi de um empresário que o lucro não é o objetivo da empresa. O lucro tem de ser visto como obrigação para qualquer empreendimento e, principalmente, dentro de uma economia de mercado. Não dá para você discordar da visão de negócios que esse empresário manifestou, pois é imperativo que, antes de você construir uma empresa, deve elaborar um Plano de Negócios que demonstrará se existe potencial de lucros para que, definitivamente, prossiga com o projeto.

Com o “sinal verde” para prosseguir, você deve mudar seu paradigma da equação lógica de mercado para:

Receita (-) Lucro (=) Tributo (+) Custo (+) Despesa 

Com o retorno desejado já estabelecido, você administra seu negócio com os mesmos agentes, porém com uma mentalidade focada no recebimento do Lucro antes dos pagamentos dos Tributos, dos Custos e das Despesas. Sucesso!!!!!!!

Caso você tenha alguma dúvida ou queira informação adicional sobre o tema, entre em contato conosco para podermos ajudá-lo.

João Daniel Quagliato, Contador, Economista, Pós-Graduado em Contabilidade e Finanças, Consultor Econômico-Financeiro e Professor de Pós-Graduação na área de Negócios.

Você sabe a diferença entre Lucratividade e Rentabilidade?

Em linhas gerais, esses dois conceitos utilizam o lucro da empresa como referência para serem dimensionados, porém eles trazem informações diferentes para os envolvidos no negócio.

Enquanto a Lucratividade mostra sua performance no resultado em relação às receitas da empresa, a Rentabilidade indica para o empresário (investidor) qual foi o retorno da empresa em relação ao seu capital investido.

Podemos dizer que esses índices atendem às necessidades de informação de dois agentes do negócio: o gestor e o investidor. O primeiro se baseia na Lucratividade para saber quanto obteve de retorno em relação ao valor faturado, e o segundo, qual foi o retorno pelo investimento feito no negócio. Este deve comparar o retorno obtido com qualquer outra alternativa de aplicação para referenciar a escolha feita.

Vamos exemplificar! Um investidor monta um negócio próprio no qual investe R$ 240.000,00. No mesmo ano, seu empreendimento faturou R$ 1.200.000,00. Com esse negócio, ele obtém um lucro de R$ 120.000,00. Qual foi a Lucratividade e qual foi a Rentabilidade desse investimento?

A empresa obteve uma Lucratividade de 10,00% [(R$ 120.000,00 / R$ 1.200.000,00) x 100,00%], indicando que, do valor faturado pela empresa e descontados os tributos, os custos e as despesas operacionais, será disponibilizado esse montante para que seja definido se haverá reinvestimentos no próprio negócio ou se ele será distribuído para o investidor (proprietário). Essa decisão depende, conforme já explicado em tela, da rentabilidade que outras alternativas de investimentos possam oferecer.

Em relação à Rentabilidade, ela apresenta um retorno de 50,00% [(R$ 120.000,00 / R$ 240.000,00) x 100,00%] sobre o capital investido. Esse referencial possibilita àquele que investe seu patrimônio conhecer o posicionamento do retorno desse investimento em relação às demais alternativas que estavam disponíveis naquele momento.

Esperamos que, com essas explicações, você consiga administrar seus negócios e seu patrimônio de forma adequada, sempre objetivando a sustentabilidade dos negócios e agregar valor ao seu patrimônio.

Caso você tenha alguma dúvida ou queira informação adicional sobre o tema, entre em contato conosco para podermos ajudá-lo.

João Daniel Quagliato, Contador, Economista, Pós-Graduado em Contabilidade e Finanças, Consultor Econômico-Financeiro e Professor de Pós-Graduação na área de Negócios.

Reduza as Despesas (*)

Antes de iniciarmos nossa reflexão, é importante destacarmos que, para facilitar o entendimento dos valores que são consumidos na empresa, devemos separar os recursos dispendidos na organização entre Custos e Despesas. Os primeiros já fizeram parte do nosso artigo “Controle os Custos”, publicado em www.quagliatoconsultoria.com.br/blog, e são aqueles itens consumidos diretamente na fabricação dos produtos ou na prestação de serviços, quando se tratar de uma indústria e/ou de uma prestadora de serviços. Lembre-se de que são considerados custos também as mercadorias adquiridas para revenda, bem como todo desembolso financeiro que se faz com fretes, seguros e outros para recepcionar essas mercadorias e deixá-las disponíveis para revenda.

As despesas – valores que ocorrem para atender às necessidades na administração do negócio, no suporte das vendas, na entrega desses produtos e/ou em mercadorias e outros –, embora precisem existir, devem ser calibradas em função das necessidades do ramo de atividade da empresa.

Como fazer isso? Essa é a questão crucial. Mesmo não havendo um padrão de procedimento para a reduzi-las, você pode fazer uma lista de todas as despesas existentes em sua empresa. Em seguida, deve alocá-las em blocos de atividades. Por exemplo: Despesas com os Sócios/Quotistas; Despesas com a Administração; Despesas com o Pessoal – exceto aquelas que já foram consideradas como custos; Despesas com Assessorias/Consultorias; Despesas com Manutenções; Despesas Gerais Operacionais; Despesas Tributárias; Despesas Financeiras e outras.

Depois, elabore um mapa de distribuição dessas despesas. Com os blocos alocadores de despesas, elenque, analiticamente, as despesas que fazem parte de cada bloco. Explico! No bloco de manutenções, você tem: manutenção de instalações, manutenção de computadores, manutenção de impressoras, manutenção de veículos, manutenção de máquinas e equipamentos e outras. Essa distribuição vai depender do nível de informações que você pretende ter para conhecer melhor sua empresa e visualizar “como” esses blocos de despesas se movimentam em relação à receita da empresa.

Outro ponto positivo a ser destacado é que esse procedimento permitirá que você encontre quais são as despesas estratégicas e quais são aquelas que não são estratégicas para o seu negócio, ou seja, aquelas que, sendo aumentadas – voluntária ou involuntariamente –, alavancam suas receitas ou melhoram o atendimento ao cliente, ou aquelas que simplesmente provocam um aumento no total de despesas sem promoverem nenhuma melhora no nível de vendas.

Ressaltamos, ainda, que, com essas mudanças, você poderá conhecer as despesas que agregam valor ao seu negócio e aos seus clientes e aquelas que não agregam valor algum.

Com isso, certamente você terá gratas surpresas em relação a cada uma das despesas e poderá reduzi-las sem modificar o bom atendimento ao seu cliente.

Caso você tenha alguma dúvida ou queira informação adicional sobre o tema, entre em contato conosco para podermos ajudá-lo.

(*) Este artigo faz parte da série Estratégias para Aumentar o Lucro da sua Empresa, do mesmo autor.

João Daniel Quagliato, Contador, Economista, Pós-Graduado em Contabilidade e Finanças, Consultor Econômico-Financeiro e Professor de Pós-Graduação na área de Negócios.