Ponto de Equilíbrio Financeiro

Conforme já destacamos em artigos anteriores, existem três ferramentas simples e de fácil aplicação que permitem aos gestores visualizar, de certa forma, a performance do seu negócio. Estamos nos referindo ao Ponto de Equilíbrio Operacional (PEO), Ponto de Equilíbrio Econômico (PEE) e Ponto de Equilíbrio Financeiro (PEF). Nos dois últimos artigos, apresentamos o Operacional e o Econômico, respectivamente. Neste, apresentaremos o Ponto de Equilíbrio Financeiro.

Diferentemente do primeiro (PEO) – que considera todos os custos da organização pelo viés do regime de competência, ou seja, sendo eles pagos ou não, farão parte do cálculo desde que estejam relacionados com as receitas de forma tempestiva, e do segundo (PEE), que considera os elementos do primeiro e acrescenta o lucro desejado dos proprietários –, o Ponto de Equilíbrio Financeiro atua pelo viés do caixa da empresa. Neste, somente serão considerados aqueles custos que representam uma saída de recursos do caixa.

E aqueles custos que não representam desembolsos do caixa, como a depreciação, provisões e fornecedores vencíveis no período seguinte? Não entrarão no cálculo? Por quê? E como saber o lucro da empresa sem considerar esses custos?

É importante destacar que o Ponto de Equilíbrio possui, em suas três versões, características e finalidades diferentes. A finalidade deste último (Financeiro) é demonstrar, dentre outras, à gestão da empresa que ela pode operar, no curtíssimo prazo, com um prejuízo operacional, porém sem deixar de honrar seus compromissos na data em que ocorrem, ou seja, sem acúmulo de dívidas.
Como isso é possível? Em que situações de curtíssimo prazo o Ponto de Equilíbrio Financeiro se encaixa? Nós podemos utilizá-lo, por exemplo, em momentos de crise, como este pelo qual o País está passando, e em situações de oferecer novos produtos no mercado com preço reduzido visando à projeção junto aos consumidores. Ou seja, as situações em que podemos utilizar o Ponto de Equilíbrio Financeiro são várias, mas em todas elas devemos ter prudência e moderação.

É possível uma demonstração do seu uso? Sim. Vamos considerar que estamos no último dia de um determinado mês e pretendemos calcular o Ponto de Equilíbrio Financeiro para o mês seguinte. Possuímos as seguintes informações da empresa:

Capacidade Instalada: 15.000 peças / mês;
Custos Variáveis: R$ 50,00 / unidade;
Preço de Venda Médio: R$ 75,00 / unidade;
Custos Fixos Totais: R$ 250.000,00 (depreciação inclusa) / mês;
Depreciação: R$ 25.000,00 / mês.

Informação importante nº 1: Os custos (variáveis e fixos) apresentados acima são aqueles que incorrem na produção e em outras áreas da empresa, ou seja, não houve separação entre eles;

Informação importante nº 2: Não existiam estoques iniciais nem finais;

Informação importante nº 3: Os fornecedores de materiais e serviços são pagos todos à vista;

Informação importante nº 4: Não foram consideradas provisões e outros possíveis custos que não sejam desembolsáveis no período.

Primeiro, calcularemos o Ponto de Equilíbrio Operacional. Como já sabemos, ele é o ponto que indica o mínimo de unidades que a empresa precisa produzir e vender para cobrir todos os seus custos, ou seja, não ocorrerá lucro nem prejuízo operacional. Assim, teremos:

R$ 250.000,00 / (R$ 75,00 – R$ 50,00) = 10.000 unidades / mês

Qual é o potencial de lucro da empresa considerando a sua capacidade instalada?

15.000 unidades – 10.000 unidades = 5.000 unidades / mês
5.000 unidades x R$ 25,00 = R$ 125.000,00 / mês

Conforme demonstração acima, a empresa precisa operar (produzir e vender) 10.000 unidades / mês para cobrir todos os seus custos, e ela possui um potencial de lucro de R$ 125.000,00 / mês, isso operando em sua capacidade instalada.

A seguir, vamos apresentar duas situações em que o conhecimento do Ponto de Equilíbrio Financeiro é importante par a gestão da empresa:

  • Primeira Situação: Retração das Vendas:

Imaginemos que a economia esteja em forte retração econômica e o segmento da empresa esteja encontrando dificuldades de manter seu nível de vendas médio. Com isso, ela pretende manter o seu preço de venda médio, mas terá a quantidade vendida em menor volume. A pergunta é: Quanto ela pode reduzir o volume de quantidade vendida e conseguir pagar todos os seus compromissos?

Conforme já informamos, essa ferramenta utiliza somente os custos que são desembolsáveis, ou seja, que possuem saída de recursos do caixa da empresa. Em nosso exemplo em tela, o custo que não possui saída de caixa é a depreciação no valor de R$ 25.000,00.

Calculando o Ponto de Equilíbrio Financeiro (PEF):

(R$ 250.000,00 – R$ 25.000,00) / (R$ 75,00 – R$ 50,00) =
9.000 unidades / mês

Considerando as informações acima, a empresa poderá reduzir a quantidade vendida 10,00% (de 10.000 unidades / mês para 9.000 unidades / mês) sem que tenha dificuldades de quitar suas dívidas no final do referido mês. Caso o nível de vendas estivesse no patamar de 12.000 unidades / mês, ela poderia reduzir a quantidade vendida 25,00% (de 12.000 unidades / mês para 9.000 unidades / mês).

  • Segunda Situação: Posicionamento no mercado via preço:

Consideremos, agora, que a empresa pretende manter seu posicionamento no mercado em 12.500 unidades / mês. Para isso, ela pretende reduzir seu preço de venda médio como estratégia para alcançar seu objetivo. Quanto ela poderá reduzir o seu preço de venda?

O valor a ser desembolsado mensalmente com os custos totais fixos é de R$ 225.000,00 (R$ 250.000,00 – R$ 25.000,00) e o valor unitário dos custos variáveis é de R$ 50,00. Com isso, temos:

[(R$ 225.000,00 / 12.500 unidades)] + R$ 50,00 = R$ 68,00 / unidade

Considerando um preço médio atual de R$ 75,00 com redução para R$ 68,00, temos uma diferença de R$ 7,00, representando um percentual para redução de 9,33%. Ou seja, reduzindo o preço de venda neste percentual a empresa pode ganhar fôlego mercadológico para se manter no mercado com o mesmo nível de vendas.

Outras considerações podem ser feitas em nível de estratégias a serem implementadas com a utilização dos Pontos de Equilíbrio apresentados nestes três últimos artigos. Ressaltamos que em todos eles apresentamos empresas que produzem e comercializam um único produto.

Caso você tenha alguma dúvida ou queira informação adicional sobre o tema abordado, entre em contato conosco para podermos ajudá-lo.

Sucesso e bons negócios!

João Daniel Quagliato é professor pela Universidade Adventista de São Paulo e Consultor Empresarial
www.quagliatoconsultoria.com.br
joaodaniel@quagliatoconsultoria.com.br/blog
(19) 99608-0362

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