Depreciação: Instrumento de Política Gerencial

“A sincronia entre depreciação e custos de manutenção favorece a manutenção de um custo equilibrado entre os períodos de vida útil do bem.”

Boletim de Gestão Econômico-Financeira de Empresas
ANO II – Vol XX
Agosto 2017
Professor João Daniel Quagliato

Um elemento da estrutura de custos e despesas que fomenta muitas curiosidades nas empresas é a depreciação. É comum vê-la dentro de determinado grupo juntamente com a amortização e a exaustão. Embora sejam conceitos de aplicabilidade diferente, a metodologia para calculá-las é quase idêntica. Neste boletim, apresentaremos somente a depreciação.

Este elemento surge na estrutura de custos e despesas das empresas quando são feitos investimentos em bens que possuam vida econômica útil por um prazo maior de um ano, ou seja, quando o bem possui a capacidade de geração de benefícios para a empresa por um prazo que seja maior do que 12 meses.

A ideia é que os valores contabilizados como custos ou despesas acompanhem a geração de receitas da empresa e, a partir daí, passam a ser deduzidos da receita gerando um benefício líquido.

De certa forma, o valor da depreciação corresponde ao desgaste do bem no período considerado, e esse desgaste não acontece somente pelo uso, mas principalmente pelo tempo, pois o desgaste da obsolescência também é considerado.

Existem alguns métodos de cálculo da depreciação. Neste Boletim, apresentaremos os quatro mais utilizados. São eles: pelo método Linear, pela Produção, pelas Horas Trabalhadas e pelo método da Soma dos Dígitos. Faremos algumas considerações que julgarmos importantes ao final de cada uma das formas.

Primeiro método: Linear

Neste método, o valor da depreciação apresenta uma linearidade, sendo que o valor do bem é dividido pela quantidade de meses contidos na vida útil do bem.

Exemplo: Uma máquina nova comprada no primeiro dia do mês de março pelo valor de R$ 120.000,00 entra em operação no mesmo dia. Essa máquina será depreciada pelo prazo de 10 anos, ou seja, 120 meses. A taxa utilizada será de 10,00% ao ano. Com isso, temos:

[(R$ 120.000,00 x 10,00%) / 120 meses (10 anos)] – R$ 1.000,00 / mês

Este é o método mais simples e mais utilizado pelas empresas. Talvez não pela sua simplicidade, mas pela sua aceitabilidade dentro dos critérios da legislação tributária do País. Ele é muito utilizado pelas empresas que optam ou são obrigadas a calcular os seus tributos pelo Regime de Tributação pelo Lucro Real.

Segundo método: Produção

Neste, é importante verificar as especificações técnicas da máquina quanto à quantidade de produtos possíveis de serem fabricados ao longo da sua vida útil.

Exemplo: A mesma máquina do caso anterior possui a capacidade de fabricação de 1.000.000 de unidades do produto ALPHA durante sua vida útil. Com isso, temos:

(R$ 120.000,00 / 1.000.000 unidades) = R$ 0,12 / unidade

Este método possui a complexidade da informação quanto ao número de produtos, que geralmente é indicado em estimativas, e não em realidade. Embora ele seja calculado por unidade produzida, a desvantagem ocorre com a parada da produção, em que deixa de haver depreciação. A pergunta que fica é: e a obsolescência?

Terceiro método: Horas Trabalhadas

Este é idêntico ao segundo método em sua operacionalidade. Nele, é fundamental saber a quantidade de horas de produção possível durante a vida útil da máquina. Entendamos que seja de 80.000 horas. Com isso, teremos:

(R$ 120.000,00 / 80.000 horas) = R$ 1,50 / hora trabalhada

Quarto método: Soma dos Dígitos

Para demonstração deste método, utilizaremos os mesmos valores dos métodos anteriores, ou seja, o valor da máquina comprada por R$ 120.000,00.

Para encontrarmos a forma do cálculo por este método, basta somarmos os numerais correspondentes à quantidade de anos. Com isso, temos:

1 + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 + 7 + 8 + 9 + 10 = 55

A seguir, basta procedermos o cálculo encontrando quanto cada um desses numerais corresponde ao somatório e multiplicamos pelo valor total da máquina, conforme demonstrado no quadro a seguir:

Ano Cálculo Valor da Depreciação – R$
1.º (10/55) * R$ 120.000,00 21.818,18
2.º (09/55) * R$ 120.000,00 19.636,36
3.º (08/55) * R$ 120.000,00 17.454,55
4.º (07/55) * R$ 120.000,00 15.272,73
5.º (06/55) * R$ 120.000,00 13.090,91
6.º (05/55) * R$ 120.000,00 10.909,09
7.º (04/55) * R$ 120.000,00 8.727,27
8.º (03/55) * R$ 120.000,00 6.545,45
9.º (02/55) * R$ 120.000,00 4.363,64
10.º (01/55) * R$ 120.000,00 2.181,82
Total 120.000,00

 

Percebe-se que os valores da depreciação dos primeiros períodos são maiores e que vão decrescendo à medida que os períodos se aproximam do final da vida útil do bem.

Embora este método seja mais complexo que os demonstrados anteriormente, ele se constitui num elemento estratégico importante na forma como devem ser tratados os custos nas empresas, pois ele se alinha com os custos de manutenção que, na maioria das vezes, são menores no início e maiores no final da vida útil do bem.

Essa sincronia entre depreciação e custos de manutenção favorece a manutenção de um custo equilibrado entre os períodos de vida útil do bem.

Caso você tenha alguma dúvida ou queira informação adicional sobre o tema abordado, entre em contato conosco para podermos ajudá-lo.

Sucesso e bons negócios!

João Daniel Quagliato é Contador; Economista; Pós-graduado em Administração Financeira, Contabilidade e Auditoria, Consultoria Contábil-Financeira; Mestre em Educação com ênfase no ensino da Contabilidade; professor nas áreas de Custos, Economia e Tributação para cursos de graduação e pós-graduação pela Universidade Adventista de São Paulo (UNASP); e, Consultor em Gestão Econômico-Financeira de Empresas.
www.quagliatoconsultoria.com.br
joaodaniel@quagliatoconsultoria.com.br
(19) 99608-0362

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