A importância de se conhecer estrategicamente a organização

“Em estratégia, é importante ver o que está distante como se estivesse próximo e ter uma visão distanciada do que está próximo.”

MIYAMOTO MUSASHI

 

Uma das grandes contribuições da ciência econômica para o mundo empresarial são os estudos feitos pelo economista e professor da Escola de Administração de Empresas de Harvard, Michael E. Porter. Ele evidenciou em seus trabalhos a grande contribuição que essa ciência pode trazer às decisões empresariais estratégicas.

Seus estudos, apesar de terem sido feitos anos atrás, ainda estão atuais na medida em que vêm sendo ajustados às novas configurações que ocorrem no dia-a-dia e trazem às organizações um referencial importantíssimo quando se pretende entender a conjuntura em que está inserida a organização diagnosticada e o plano de ação que se pretende implementar buscando atingir os objetivos propostos.

O autor enfoca as cinco forças competitivas que determinam a intensidade da concorrência como sendo:

  • Os concorrentes e a rivalidade existentes entre eles;
  • A entrada de novos concorrentes;
  • O poder de negociação dos compradores;
  • O poder de competição dos fornecedores;
  • A ameaça de produtos ou serviços substitutos.

Dentro desse contexto concorrencial, cada participante, ao fazer parte do segmento empresarial, se posiciona estrategicamente criando um ambiente favorável que permita defender-se das influências que vão sendo impostas e que são provocadas pelas ações dos concorrentes, bem como criando estratégias para serem usadas a seu favor.

Para isso, é necessário o conhecimento da pressão que essas forças exercem sobre a empresa; como elas se movimentam dentro do segmento; as influências favoráveis e as desfavoráveis que são provocadas por elas e quais são os pontos fortes e fracos da empresa que elas podem alterar.

Não só estes são importantes, como saber reconhecer quais são os pontos críticos existentes dentro do rol desses pontos fortes e fracos, onde eles são vulneráveis, onde podem ser atacados com maior facilidade ou onde possuem um maior grau de resistência. Essas questões e outras podem ser relevantes, tanto para aquelas empresas que estão sendo instaladas, e por isso devem fazer parte do plano de negócios, como para aquelas que já estão em operação.

As cinco forças podem agir de maneira diferenciada em cada setor. A grande questão que gera as oportunidades de conquista de uma maior participação no segmento é de que forma elas se movimentam.

Elas são dinâmicas e vão criando oportunidades para aquelas empresas que estão atentas aos seus movimentos na mesma intensidade em que criam dificuldades para aquelas que não possuem um plano de ação alinhado com as reais possibilidades e com os limites que moldam as características de cada uma das empresas que fazem parte do segmento.

Quantos pequenos empreendimentos que pretenderam crescer, buscando melhorar a sua posição no mercado, não foram “engolidos” por outros que possuíam um maior grau de influência no segmento.

Essas questões precisam ser refletidas e levadas em consideração por aqueles que fazem parte do processo decisório das pequenas, médias e grandes empresas caso queiram a perpetuidade de seus negócios.
 

João Daniel Quagliato é Professor Universitário pela Universidade
Adventista de São Paulo (UNASP) e Consultor Empresarial

Visão Estratégica de Negócios

“Ou você tem estratégia própria, ou então é parte da estratégia de alguém.”

ALVIN TOFLER

 

Na medida em que o mundo dos negócios se tornou mais exigente em questões de competitividade de seus agentes econômicos, foram surgindo novas metodologias para melhor se conhecer as movimentações dos custos e das despesas dentro do contexto organizacional.

Atualmente, de maneira mais acentuada, as organizações buscam obter vantagem competitiva em seus negócios. Uma ação desarticulada com os objetivos da empresa e desalinhada com as tendências do segmento em que ela está inserida e com o mercado global limita o raio de ação da empresa quando se busca sustentabilidade e/ou o crescimento.

Enquanto algumas organizações provocam ações que, por vezes, desajustam a concorrência no mercado, outras, que não possuem influência suficiente para provocá-las, procuram se ajustar aos movimentos das primeiras, assimilando os novos padrões, que vão sendo incorporados aos seus modelos, ou saindo do mercado por não se tornarem competitivas.

A equiparação aos novos padrões, objetivando manter-se no mercado, torna-se necessária, mas não suficiente. O que na verdade ocorre é que na medida em que as empresas vão se inserindo no ambiente competitivo necessitam, ao pretenderem se preservar em seu segmento de mercado, se posicionar de forma diferenciada da concorrência.

Outra questão importante e relevante, já inserida no contexto, é a criação da vantagem competitiva. Numa linguagem simples e aplicativa essa vantagem é a capacidade que a empresa possui de agregar um valor igual a um custo mais baixo ou criar um melhor valor a um custo igual ao do seu concorrente. A busca desse objetivo torna-se imperativa tanto para aquelas empresas que buscam o crescimento, como para aquelas que procuram somente a sustentabilidade.

Existem vários fatores conjugados nas ações desenvolvidas pelas empresas em seu segmento. Eles se relacionam criando sinergias e promovendo resultados que se tornam significativos na medida em que há compreensão pelos responsáveis pelas decisões empresariais das informações que estão disponíveis nos relatórios gerenciais; as que são criadas dentro do ambiente organizacional (ambiente interno) e as que estão ocorrendo no contexto econômico social (ambiente externo).

A leitura que se faz desses fatores, internos e externos, que sobremodo influenciam as decisões empresariais dia-a-dia, cria condições de previsibilidade dos negócios. Isso ocorre na medida em que há compreensão das tendências mais expressivas que vão sendo configuradas dentro do ambiente negocial em que a empresa está inserida, tornando as decisões mais consistentes e significativas aos objetivos empresariais.

 

João Daniel Quagliato é Professor Universitário pela Universidade
Adventista de São Paulo (UNASP) e Consultor Empresarial

Gestão do Conhecimento nas Empresas

“A Gestão do Conhecimento é uma questão empresarial mais ligada à vantagem competitiva das empresas do que à tecnologia da informação.”

TODD A GARRET
Procter & Gamble
 

Muito se tem escrito sobre a gestão do conhecimento dentro das empresas e, se faz necessário dar importância ao gerenciamento criativo, sem delimitações, daqueles que contribuem para o acréscimo de valor aos produtos que são vendidos no mercado. 

É de vital importância criar um ambiente favorável nas unidades ou células de trabalho para que as habilidades de cada colaborador possam fluir de maneira espontânea, contribuindo para a sua melhoria contínua. Reprimir atitudes que acrescentam essa melhoria desmotiva o surgimento de ideias novas como também provoca um retardamento em possíveis inovações no ambiente de trabalho. 

Por isso, se torna importante o gerenciamento das necessidades e das possibilidades que emergem dentro das unidades ou células produtivas, mudanças via atitudes motivadoras pelos supervisores de área. 

Não confundamos treinamento com conhecimento. O primeiro, de forma geral, desenvolve no colaborador capacidade para exercer procedimentos de forma correta, como por exemplo, seguir normas contempladas em manuais de equipamentos. O conhecimento, por outro lado, se dá quando o colaborador, utilizando-se de dados, transforma-os em informação pela sua capacidade, em virtude de uma experiência adquirida, e que, pelos valores e insight apurados, avaliados e proporcionados por atitudes, gera novas experiências. 

Essa é uma questão crucial dentro das empresas. Mapear e monitorar de forma criativa os colaboradores que pensam e contribuem, através de seus conhecimentos, para inovações dentro do processo produtivo, que acrescentam a cada produto um valor reconhecido e pago pelo cliente. 

 João Daniel Quagliato é Professor Universitário pela Universidade
Adventista de São Paulo (UNASP) e Consultor Empresarial

Clima Organizacional

“A lógica da produtividade […] consiste em exatamente cooperar com o outro, […], no trabalho só ganhamos quando ganhamos todos.”

Wanderley Codo

Um dos grandes desafios dentro das empresas é a criação de um clima organizacional que possibilite a transformação do processo produtivo em um ambiente favorável à produtividade.

Tarefa difícil essa quando se está envolvido a diversidade dos talentos humanos, e a tarefa de convergir essas individualidades para o comprometimento com os objetivos da empresa.

Outra questão decisiva é a correção das atitudes inerentes ao comportamento do ser humano. Mostrar aos colaboradores que o seu trabalho é importante para a empresa, na medida em que se disponham a estar comprometidos com a sua equipe de trabalho, é tarefa dos facilitadores.

Outrora, tínhamos no trabalho em grupo a ilusão de estarmos contribuindo para a criação de um ambiente favorável à aprendizagem. O tempo vem nos mostrando que estávamos errados. O conceito de grupo é estimulado pela interação dos objetivos dos seus membros. Assim, um grupo é formado por pessoas atraídas por seus objetivos comuns.

A empresa necessita criar um ambiente propício à formação de equipes que sejam compostas por pessoas não atraídas pelos seus interesses pessoais comuns e sim são incentivadas para a reciprocidade das ideias novas, visando à melhoria do processo contínuo das empresas.

Qualquer iniciativa que venha a ser implementada nas empresas, direcionadas para esse objetivo, é necessário que seja de conhecimento daqueles que operam o sistema produtivo. Sem isso, o clima organizacional planejado se torna ineficiente.

João Daniel Quagliato é Professor Universitário pela Universidade
Adventista de São Paulo (UNASP) e Consultor Empresarial

Gestão Contábil nas Empresas

 

“Para que a informação contábil seja usada no processo de administração, é necessário que essa informação contábil seja desejável e útil para as pessoas responsáveis pela administração da entidade.”

Dr. Clóvis Luís Padoveze

Certa vez, John Rockefeller surpreendeu o contador de sua empresa, que estava concentrado, inclinado sobre os seus livros. “Tire seus pés do chão e ponha-os sobre a escrivaninha!” – ordenou Rockefeller. “Encoste-se para trás em sua cadeira e comece a sonhar.”

Surpreso com a ordem do chefe, o contador perguntou-se aonde no mundo esse sujeito queria chegar. Mas quando Rockfeller repetiu a ordem, o contador cautelosamente colocou os pés sobre a mesa, recostou-se na cadeira e polidamente: “Com que o senhor quer que eu sonhe?”

Rockefeller respondeu enfaticamente: “Sonhe como ganhar dinheiro para a Standard Oil Company. De agora em diante, este é o seu trabalho!”

Hoje, um dos grandes desafios dos contadores é o desenvolvimento de sua capacidade estratégica em reunir informações às empresas para a tomada de decisões. Já se vão os tempos em que a contabilização dos fatos contábeis do passado ocupava o dia-a-dia de suas atividades. É necessário inovar, levantar da cadeira, se posicionar junto à diretoria e auxiliá-los em seus trabalhos.

Atualmente vivemos num mundo onde as informações são em excesso e são veiculadas rapidamente e ao profissional da contabilidade cabe a tarefa de reuni-las de forma concisa e prática garantindo aos gestores visibilidade econômica e financeira quanto às decisões a serem tomadas.

Com essa pequena ilustração, convidamos os profissionais da contabilidade a assumirem uma posição estratégica dentro das organizações, visando tornar o trabalho dos gestores mais produtivos.

João Daniel Quagliato