O que você deseja para sua empresa?

Se você perguntar para qualquer empreendedor qual é o desejo que ele alimenta para seu negócio, ouvirá mais ou menos o seguinte: Eu desejo que minha empresa tenha vida longa de forma lucrativa. Em outras palavras, diríamos que ele deseja que seu negócio tenha um crescimento sustentável.

Para isso, ele precisa considerar alguns pontos importantes no dia a dia do negócio. A seguir, elencaremos apenas dois deles, que acabam sendo o pensamento dominante quando o objetivo é somente AUMENTAR LUCRO.

#1. Aumento de Receita: Este item, que no passado era medido de forma quantitativa, atualmente é considerado de forma qualitativa. O esforço para o aumento de sua receita simplesmente pela quantidade vendida é um indicativo a que se mude a estratégia da empresa. Somente aumentar a receita não garante longevidade do negócio. Procure responder à seguinte pergunta: O que minha empresa está fazendo para melhorar as condições dos clientes?

#2. Redução de Custos e Despesas: Este é um dos itens preferidos dos empreendedores. Pensemos na seguinte equação: Receita menos Custos é igual a Resultado. Com isso, quanto mais a receita cresce, mais o lucro aumenta, ou, então, diminuindo-se custo, o lucro aumenta. Pensar dessa forma simplista costuma dar resultado quando os custos e as despesas da empresa ocorrem de forma equivocada, ou seja, sem nenhum tipo de controle. Quando se pensa em aumentar o lucro da empresa dessa forma, quem ganha com isso? O cliente? Não. Ganha somente a empresa que vende.

É evidente que os dois itens acima são elementos importantes quando da apuração do resultado da empresa, mas não devem ser considerados apenas quantitativamente.  Na receita, por exemplo, qual é o nível de satisfação do meu cliente quando adquire os meus produtos ou serviços e na redução dos custos e despesas? E a utilização de outra matéria-prima está reduzindo a qualidade do produto? Estou utilizando, para operacionalização da estrutura organizacional do negócio, capital com custos compatíveis? Sucesso!!!!!!!

Os Lucros Não Ocorrem por Acaso

Ao analisar a performance das empresas lucrativas, podemos observar que os resultados positivos não ocorrem por acaso. O lucro apurado aconteceu em consequência de planos bem-elaborados que foram definidos para atingirmos os resultados propostos. Foram investidas horas de trabalho na construção de cenários conjunturais com grandes possibilidades de ocorrência.

Embora o planejamento possa nos dar a falsa impressão de que temos o controle sobre o futuro, e isso, de certa forma, possa nos acomodar, é por meio dele que podemos enxergar quais seriam os riscos que estaríamos correndo caso ocorressem movimentações inesperadas atingindo o mercado em que estamos atuando. Isso é possível por meio da análise de sensibilidade que inserimos em nosso planejamento provocando resultados adversos, pelas provocações que fazemos às informações, o que nos permite visualizar as possíveis ocorrências no resultado.

Isso funciona de forma simples. Pela conjuntura em que estamos vivendo, você projeta, no seu planejamento, para determinado período de tempo – curto, médio ou longo prazo –, um cenário provável de ocorrência. Em função deste, traça um evento pessimista ou otimista para o seu negócio e visualiza quais seriam as consequências dessas variáveis no resultado desse negócio. Essas variáveis acontecem em função da movimentação dos agentes inseridos no contexto econômico e social do País ou do mundo, haja vista as influências provocadas pelas ocorrências no mercado internacional.

Isso posto, no mais, ou seja, internamente, é imperativa a observância e o monitoramento das informações apontadas pelo painel organizacional: Nível de vendas  situado nos pontos desejáveis; Tributos adequados às atividades do negócio; Custos controlados; Despesas sendo, na medida do possível, reduzidas; e Disponibilidades financeiras sendo aplicadas gerando rendimentos adequados aos padrões de mercado. Você entendeu que os lucros não ocorrem por acaso? Nós temos de provocá-los. Sucesso!!!!!!!

 João Daniel Quagliato é Consultor em Gestão e Análise Econômico-Financeira de Empresas, Educador Financeiro e professor de Graduação e Pós-Graduação na área de Negócios.

Quero ser um empreendedor. O que faço?

Qual é o ser humano que nunca pensou em abrir um negócio? Cremos que sejam poucos os que nunca tiveram esse propósito na vida. Embora muito se propague que a questão da motivação seja algo importantíssimo para essa empreitada, cremos que ela seja muito importante na decisão de alguém se tornar um empreendedor (ou não), em vez de conduzir um negócio próprio.

Para a abertura de um negócio sustentável, o interessado deverá, no mínimo, elaborar um Plano de Negócios, ou seja, um planejamento para direcionamento de sua caminhada.

Com essa ferramenta, o interessado irá ter visibilidade do que poderá ocorrer com esse negócio considerando as informações e as possíveis ocorrências nos anos seguintes, e isso em função das informações que estão disponíveis no mercado naquele momento.

Além do Plano de Negócios, o empreendedor deverá desenvolver cinco habilidades gerenciais que julgamos ser as principais para a gestão do próprio negócio. São elas: Gestão Estratégia, Gestão de Pessoas, Gestão de Tributos, Gestão de Resultados (Receitas, Custos e Despesas) e Gestão do Fluxo de Caixa. Esta última é imprescindível ao empreendedor.

Nessa ferramenta, estão contempladas, a princípio, todas as entradas e saídas de recursos da empresa. Ela favorece a visualização horizontal e cronológica da real efetivação dos recursos que movimentam as atividades gerando resultados positivos (superávit) e mantendo o crescimento sustentável do negócio, ou gerando resultados negativos (déficits) e alertando para as necessidades de recursos para atender a imprevistos momentâneos. Caso os imprevistos não sejam momentâneos nem conjunturais, e sejam, pois, estruturais, isso ocorrerá porque algum ponto não foi bem estudado no Plano de Negócios.

NeAs habilidades para empreender com sucesso podem ser aprendidas. Havendo a motivação, faça cursos, leia livros e revistas especializadas e, principalmente, tenha um bom conhecimento sobre o negócio que pretende começar. Sucesso!

 João Daniel Quagliato é Consultor em Gestão e Análise Econômico-Financeira de Empresas, Educador Financeiro e professor de Graduação e Pós-Graduação na área de Negócios.

É este o momento de investir no mercado de ações?

Em tempos de retorno baixo nas aplicações de renda fixa, os capitais costumam migrar para aquelas aplicações de renda variável, e uma delas é o mercado de ações. Neste início de ano, esse investimento se tornou atrativo em função das expectativas criadas pelo posicionamento do candidato vitorioso no pleito presidencial em suas propostas liberais apresentadas durante a campanha. Duas delas, dentre outras, foram acolhidas pelo mercado como aquelas que provocariam efeito de alavancagem na economia brasileira. São elas: Privatizações e Reforma da Previdência.

As Privatizações provocam um impacto, dentro do mercado de ações, na medida em que participações acionárias passam a produzir grandes movimentações no volume de transações monetárias em função da compra e venda das ações. A Reforma da Previdência, por sua vez, resulta no equilíbrio das contas públicas e das expectativas em relação ao modelo proposto pelo economista do candidato vitorioso na criação de contas de previdência privada para complementar a renda dos futuros aposentados, trazendo equidade para os benefícios que serão pagos pelo regime geral (INSS).

Se tudo isso é importante para que novos entrantes nesse mercado tenham oportunidades de fazer parte da composição acionária de empresas no interesse de proteger a rentabilidade de seu capital, é necessário levar em consideração alguns critérios no momento de se escolherem as empresas para investir. A seguir, apresentaremos sete critérios que entendemos ser importantes para entrar no mercado de ações. São critérios simples, mas que contribuem para uma tomada de decisão correta. Eles estão listados objetivando a composição de uma carteira previdenciária, ou seja, aquela que você espera que, no futuro, complemente sua aposentadoria. São estes os critérios:

Critério #1:

Planejar. Em tudo há de se planejar, principalmente quando se trata de prover recursos no futuro para se ter uma vida financeira estável. Estude o seu nível de renda atual e verifique qual é o montante de que dispõe para investir mensalmente. Não se preocupe, no início, com a quantia disponível. Atente para desenvolver o hábito de investidor. Uma vez definido o valor, separe um percentual para investir em renda variável (ações) e um percentual para investir em renda fixa.

Critério #2:

Definido o valor a ser investido em renda variável (ações), comece a selecionar as ações nas quais pretende investir. Atenção! Você deverá verificar se a referida empresa apresentou, nos últimos cinco anos, lucros constantes no formato trimestral. Isso pode ser feito acessando o portal da empresa, no item Relação com Investidores.

Critério #3:

Verificada a manutenção do lucro constante nos últimos cinco anos, você, na condição de investidor, deve atentar para o fato de ter ou não havido distribuição de dividendos (lucros) nos últimos cinco anos, também no formato trimestral.

Critério #4:

Sendo positivas essas duas verificações, analise o ROE (return on equity) (em português, retorno sobre o patrimônio líquido), ou seja, o retorno sobre o valor investido. Esse índice responde à seguinte questão: qual é o percentual de lucro que a empresa vem disponibilizando para os seus investidores? Para que seja interessante esse percentual, ele deve estar acima dos retornos sobre renda fixa, ou daquele que atende aos anseios do investidor.

Critério #5:

A referida empresa apresentou crescimento em seus lucros nos últimos cinco anos? A resposta a essa pergunta é importante na medida em que demonstra o percentual de participação da empresa no mercado em que atua e denota a sua sustentabilidade empresarial.

Critério #6:

O investidor deve verificar em que níveis de governança corporativa a empresa está incluída. Esses níveis orientam os investidores em relação às práticas de transparências adotadas pelas empresas. Quanto maior for o grau de transparência, maior será a visibilidade da performance da empresa analisada.

Critério #7:

Uma vez selecionadas as empresas com potencial de lucro e verificados os setores em que elas estão inseridas atentando para a sustentabilidade econômica, o próximo passo é encontrar a participação no volume investido. Com isso, os valores disponíveis para investimentos serão distribuídos entre tais empresas na proporção de criação de riqueza para o seu patrimônio.

Diante de tais critérios, o ponto de partida foi dado, mas a cada período, em função das movimentações dos agentes econômicos, essa carteira poderá ser modificada à medida que se vão criando novas oportunidades de investimentos diante da conjuntura brasileira e internacional.

(*) Artigo publicado no jornal Gazeta de Limeira no dia 04/04/2019.

 João Daniel Quagliato é Consultor em Gestão e Análise Econômico-Financeira de Empresas, Educador Financeiro e professor de Graduação e Pós-Graduação na área de Negócios.

E agora? Para onde vamos?

As urnas já estão fechadas e esperam pelas próximas eleições que ocorrerão em 2020. O resultado já foi proclamado com a vitória do candidato que, aliás, as pesquisas e os analistas vinham dando como certa. Com isso, as promessas de campanha deverão ser deixadas de lado e a nova equipe econômica deverá mostrar para que veio: apresentar um diagnóstico dos problemas que o nosso País enfrenta, segregá-los em ordem de prioridades, demonstrar como irá resolvê-los e, se possível, mostrar à Nação para onde estaremos indo nos próximos anos.
Durante a campanha, foram apresentadas, pelos assessores econômicos dos candidatos, várias soluções mágicas para todos os males e problemas que assolam o Brasil.
O interessante é que a maioria das soluções era contraditória, ou seja, não seguia uma linha afluente comum. É evidente que, por estarem em situações opostas, os candidatos postulavam convicções diferentes, mas as correções a serem aplicadas não deveriam ser tão díspares. Em outras palavras, não existem tantas multiplicidades de medicamentos para correções do rumo de nossa economia, e medicações erradas ou mal dosadas, em linhas gerais, promovem efeitos colaterais de difícil reversão no futuro.
É evidente que, desde o Plano Cruzado (1986), os economistas aprenderam muito sobre os deslocamentos dos agentes no contexto econômico. Foram vários planos econômicos até que se chegasse ao Plano Real (1994), e, desde então, o País passou por oito anos de uma política econômica norteada pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), o qual praticamente se desintegrou politicamente neste último pleito presidencial pela quantidade de votos de seu candidato e, em torno de quatorze anos, por uma política gerenciada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e, por mais dois anos, pelo então vice-presidente Michael Temer, da chapa PT/MDB.
Os indicadores econômicos que estão sendo apresentados pela economia brasileira são de natureza complexa. O País carrega uma dívida interna em torno de R$ 4 trilhões. Somente no ano passado, foram pagos em torno de R$ 280 bilhões de juros. Este ano, provavelmente tenhamos um valor alto de juros dessa dívida interna, mesmo com uma taxa básica reduzida de 14,25%para 6,50% ao ano. Um regime de previdência geral (INSS) que não faltam analistas que sustentem que não há déficit, bem como outros que entendem que há, e que se não houver uma reforma urgente, os benefícios dos próximos anos estarão comprometidos.
O Governo Temer fez a Reforma Trabalhista, que está sendo criticada por muitos. A economia brasileira anseia por uma Reforma Tributária, pois o nosso sistema penaliza as empresas e a sociedade com uma carga tributária em torno de 40,00% ao ano, o que, além das principais (impostos, taxas e outros),submete as empresas a um emaranhado de obrigações acessórias que obriga as empresas a dedicarem uma quantidade de horas excessivas de seus colaboradores para que as exigências sejam atendidas. Além de outras complicações, essa é a herança que o presidente eleito estará recebendo, e terá a obrigação de “desatar os nós” e implementar uma matriz econômica para que sejam cumpridas as promessas feitas durante sua campanha presidencial.
Essa herança destinada à equipe econômica do Governo, que tomará posse em janeiro de 2019, será muito vigiada pelo mercado e por todos aqueles que esperam soluções imediatas para os entraves econômicos que deixam mais de 13 milhões de desempregados e outras consequências nefastas para a nossa economia. Com isso, chega de propostas mirabolantes para encantar eleitores e o mercado,os quais anseiam pela retomada do crescimento e desenvolvimento econômico. A hora é de vivermos o Brasil real e colocarmos em prática as medidas que permitam os ajustes necessários para que os objetivos esperados por todos sejam alcançados.
Num momento como este, esperamos que aqueles que foram eleitos para governar o País a partir do próximo ano estejam cientes de suas responsabilidades para com a nação brasileira e que sejam escolhidas pessoas competentes para os cargos contemplados na gestão, pois todos anseiam por um Brasil melhor.

*João Daniel Quagliato é consultor em Gestão Econômico-Financeira e professor pela Universidade Adventista de São Paulo (Unasp)